LGPD: quando design e segurança de dados andam juntos

LGPD

“O design deve refletir o que é prático e estético nos negócios mas, acima de tudo, um bom design deve principalmente servir às pessoas”. Na fala acima, Thomas J. Watson, além de defender o design empresarial, nos questiona sobre o nosso foco de negócio. Se pensar em pessoas e servi-las foi a chave do sucesso para o criador da IBM, devemos fazer esse exercício todos os dias: olhar para as pessoas e buscar melhorar suas vidas. (LGPD)

Cortando para os dias atuais, temos centenas de milhares de ferramentas à disposição para nos ajudar nessa tarefa e elas só fazem sentido e têm assertividade, se tiverem como matéria prima essencial na sua base, a informação. E informação, para entender quem são e o que querem os clientes, significam dados.

A pergunta de ouro é: como o design pode nos ajudar a manter o foco nas pessoas, utilizando seus dados e, em paralelo, respeitando a privacidade e seguindo as diretrizes da lei de proteção de dados? Listamos sete pontos importantes na construção de uma relação saudável entre design, negócios e clientes:

1) Sem dados, sem personalização: o primeiro passo é entendermos e contarmos aos clientes que os dados não são vilões. Só com acesso e desenho das personas entendemos quem é esse cliente, o que ele gosta e como podemos ser mais assertivos. Quando temos conhecimento e entendimento sobre com quem estamos falando, poupamos tempo, dinheiro e geramos oportunidades para ambos.

2) Proatividade no design é igual a dados bem utilizados: quando o design participa da concepção de uma empresa ou produto, o cliente torna-se centro das decisões. É aí que as informações e desenhos entram em sincronia. Dados autorizados ajudam a construir melhores caminhos do cliente até a marca, dando mais proatividade para a empresa e mais conforto e segurança para o cliente, tudo por meio do design.

3) Menos burocracia, mais design: quando pensamos na famosa e temida Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a ideia de burocracia vem à tona. Leis, muitas vezes, são vistas como muros que impactam as conexões entre o pensar e o agir. Se queremos trazer clientes e seus dados a nosso favor, o movimento deve ser o de dificultar menos, evitando solicitar todos os dados de uma só vez, e seguir a LGPD no desenho de interfaces e user experience (UX), a experiência do usuário.

4) Se funciona, é seguro: a partir de agora, tudo que é desenvolvido para jornada e experiência do cliente deve incluir regras gerais de LGPD. Partindo do pressuposto ético, não deverá acontecer violação de dados se o design de produto ou de serviço for incorporado no processo de concepção do negócio. Se sabemos com quem falamos, o que desejam e como atendê-los, porque roubaríamos seus dados?

5) Visibilidade e transparência nas relações: ao permitir que usuários e outras partes envolvidas vejam como as informações se movem pelo sistema, ele melhora. Responsabilidade, transparência e conformidade são necessárias para um sistema eficaz, seguro e produtivo. O design elucida esse caminho. Assim, o nível de segurança que ele fornece cria confiança e responsabilidade na organização.

6) Respeito à privacidade do usuário: é preciso tornar a privacidade do usuário a principal preocupação. Se sua organização cuida de dados pessoais, o risco de deixá-los cair em mãos erradas é muito alto. Por isso, é necessário garantir a segurança dos dados do usuário assegurando confidencialidade, integridade e disponibilidade dos dados e informações durante todo o ciclo de vida do negócio.

7) Privacidade desde a concepção, privacidade por padrão (privacy by design, privacy by default): podemos dizer que o último é decorrência do primeiro. Em outras palavras, é a ideia de que o produto ou serviço deve ser lançado e recebido pelo usuário com todas as salvaguardas concebidas durante o seu design. Ou seja, é obrigatório manter todas as medidas adotadas para proteger a privacidade.

O ponto central a ser observado é a governança que as organizações precisam ter. Em todas as etapas, desde o desenvolvimento do produto ou serviço, será necessário se preocupar com a privacidade do usuário. E esse é um esforço que não será apenas do design do negócio. A integração de todos os membros da organização, de tecnologia aos recursos humanos, nesse processo é vital para que a missão seja bem sucedida. Inclusive do ponto de vista da expectativa de vida do negócio. E se o design estiver inserido nesse contexto, a estratégia estará em bom caminho.

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