Legal Design: como a advocacia e o design trabalham bem juntos

Legal Design

O ser humano em primeiro lugar. Essa filosofia está tornando o trabalho jurídico de algumas empresas mais acessível e menos complexo. E o responsável pelo legal design é o design thinking.

Mas como uma abordagem que coloca a experiência do usuário no centro do processo criativo, com foco na criação de ferramentas para resolver um problema e testá-las até que atendam a uma necessidade específica pode ajudar a advocacia? Aparentemente, esse conceito está mais próximo dos advogados do que se imagina: uma lei é elaborada para servir às pessoas a que se destina, ou seja, foi criada com base no método design thinking.

Ao usar essa abordagem para tornar os serviços jurídicos mais voltados às pessoas, a lei pode ser efetivamente universal e acessível a todos, em vez de protegida e controlada.

Mas o design thinking não se restringe a melhorar a prestação de serviços jurídicos. Escritórios têm usado o método também para criar produtos digitais e tornar as informações jurídicas mais digeríveis para clientes e funcionários. Por exemplo, ao melhorar a forma como realizam diligências em transações financeiras, movendo longas listas de palavras para relatórios em tabelas excel, que podem se encaixar em modelos financeiros de clientes.

Algumas equipes jurídicas de empresas também adotaram o Legal Design. Os advogados de uma empresa francesa de tecnologia usam o conceito para melhorar a própria imagem e torná-la mais atrativa para clientes. Eles, inclusive, fizeram um curta-metragem para explicar as políticas anti-suborno. E essa é uma das motivações do Legal Design, que permite que advogados, que não são profissionais criativos por natureza, sejam criadores.

Repensar o conteúdo jurídico

O Legal Design vem sendo aplicado com sucesso em escritórios de advocacia e vai além do design de serviço, processo ou documento para redesenhar o conteúdo jurídico em si – por exemplo, usando imagens e diagramas em contratos, em vez de apenas texto.

A gigante do setor energético Shell fez diversas tentativas para melhorar a forma como interage com fornecedores e clientes, com a introdução de contratos visuais. O foco foi trabalhar na experiência do usuário e no propósito do contrato: design thinking.

A maioria dos advogados cria contratos com o objetivo de resolver disputas. Mas contratos não poderiam realmente facilitar o comércio? Os elementos visuais usados ​​em alguns dos contratos da Shell, por exemplo, não existem por mero design, mas para melhorar o entendimento entre as partes. Mostrar a fornecedores sobre como lidar com óleo do motor de barcos de acordo com os padrões da empresa é um desses exemplos.

O mercado jurídico é bastante tradicional, mas isso não significa que não existe espaço para inovação. Para inovar, o advogado deve ter um olhar crítico sobre o mercado. No Legal Design busca-se soluções para a advocacia tanto olhando para o problema, como também para a visão do cliente. É um exercício de empatia, que pode trazer soluções tanto para a criação de novos serviços jurídicos, como no aprimoramento da sua prestação.

Com a pandemia, o mercado sofreu grandes impactos, mudando drasticamente a condição social e financeira da população. Naturalmente, os problemas que decorrem disso, precisam de soluções jurídicas e cabe ao advogado buscá-las, com a ajuda do design.

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